domingo, 5 de junho de 2011
Não acredito que ela não percebeu. Aquele sorriso, tão lindo, que foi murchando, sumindo. Os dentes sujaram, a voz calou-se e os lábios caíram. Acho que teria percebido se fosse o seu próprio sorriso que tivesse desaparecido do espelho. E hoje, entre sorrisos, lembrou-se daquele que era mais bonito que qualquer outro, e que agora, de tão ausente, tornou-se o mais valioso. As gargalhadas de outrora se transformaram em tosse. E os olhinhos, tão cheios de vida e calor, ficaram vagos e esquivos. A barba cresceu e os cabelos foram cortados, seu menino, seu ninho, onde está? Será que ainda existe por trás de tanto sofrimento, tanto desvio? Será que tem cura?
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