O fundo da gaveta.
Às vezes afunda.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Quando as palavras encheram a sua boca e mal podia esperar para cuspí-las, e as lágrimas alagaram os seus olhos; percebeu a ironia que regava sua vida. Alguém disse que não acha o nosso jeito de amar hipócrita, acha sincero. Mas a hipocrisia é, de fato, muito sincera.
Esperava que as luzes nas árvores fossem transportá-la para um universo alternativo, cujos palácios fossem mais que museus. Não funcionou.
Esperava que um mantra a fizesse dar-se conta do que é o amor, e de como é possível ser feliz amando. Não escutou.
O tempo não passou, e as palavras dissolveram na saliva. As lágrimas ficaram naquele intervalo entre a garganta e as narinas. Tomou uns goles de vinho branco pra fazer descer. Não sentiu vontade de fumar; nessas cenas sempre tem um cigarro. Nessas cenas a tristeza é charmosa, sob batom vermelho, fios de cabelos dourados, pele de veludo. Mas quando não é na tela (nem de pano, nem de vidro) a tristeza não cai bem em ninguém.
Nada mais encheu, alagou, incendiou.
Nada.
Esperava que as luzes nas árvores fossem transportá-la para um universo alternativo, cujos palácios fossem mais que museus. Não funcionou.
Esperava que um mantra a fizesse dar-se conta do que é o amor, e de como é possível ser feliz amando. Não escutou.
O tempo não passou, e as palavras dissolveram na saliva. As lágrimas ficaram naquele intervalo entre a garganta e as narinas. Tomou uns goles de vinho branco pra fazer descer. Não sentiu vontade de fumar; nessas cenas sempre tem um cigarro. Nessas cenas a tristeza é charmosa, sob batom vermelho, fios de cabelos dourados, pele de veludo. Mas quando não é na tela (nem de pano, nem de vidro) a tristeza não cai bem em ninguém.
Nada mais encheu, alagou, incendiou.
Nada.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Viu pela janela a rua de sempre. E foi como se nunca a tivesse visto: teve que imaginar o seu cheiro, que foi de asfalto depois de chuva, misturado com folha caída. O clima foi o de um domingo. Seu lar tornou-se estrangeiro.
Anda como que sobre nuvens: não tem mais correntes que o mantenham em terra. A Terra é pequenininha.
Volta e meia, quando se destrai, começa a imaginar como será o retorno àquele lar estrangeiro. Será que poderá sentir o lugar, espontaneamente, ou terá que imaginar as cores e os dias?...
Anda como que sobre nuvens: não tem mais correntes que o mantenham em terra. A Terra é pequenininha.
Volta e meia, quando se destrai, começa a imaginar como será o retorno àquele lar estrangeiro. Será que poderá sentir o lugar, espontaneamente, ou terá que imaginar as cores e os dias?...
terça-feira, 18 de outubro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
Paris
O som do piano que atravessa a parede fina do meu quarto faz doer uma dor doce. Imagino que no alemão exista uma palavra que explique essa sensação. É uma comoção que dói bem suavemente no peito. A mesma que bate ao ver o céu rosa das 19 horas sobre o rio Sena. Vem como se fosse uma lembrança, mas que é vivida agora e já se sente saudade. É o vento da tarde e o cheiro das folhas secas, com o barulho úmido dos saltos das botas das francesas que passam pela calçada, acostumadas. Não sei do que é preciso ser feito para acostumar-se à essa cidade...
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Ao chegar, sua roupa desapareceu. Em seguida, sua pele, sua carne, seus órgãos; restou apenas a sensação do sangue correndo em suas (já desaparecidas) veias. A única coisa que a fazia achar-se viva era a ilusão de um coração que bate. Não restaram nem mesmo as lembranças...
Aos poucos, diluiu-se na multidão que andava sobre as ruas de outono que, oficialmente, ainda não havia chegado. Ela chegou e tornou-se pulsação. Após a primeira brisa de pleno meio-dia pôde respirar normalmente, seu corpo voltou a tomar forma, devagarinho.
Finalmente, passou a achar-se viva por conta dos olhares dos que passavam. Era gente, como antes. Mas havia algo de diferente.
Aos poucos, diluiu-se na multidão que andava sobre as ruas de outono que, oficialmente, ainda não havia chegado. Ela chegou e tornou-se pulsação. Após a primeira brisa de pleno meio-dia pôde respirar normalmente, seu corpo voltou a tomar forma, devagarinho.
Finalmente, passou a achar-se viva por conta dos olhares dos que passavam. Era gente, como antes. Mas havia algo de diferente.
domingo, 11 de setembro de 2011
O cavaleiro de copas vem mansinho. Não precisa de anunciações, de filarmônicas, sonetos. Ele não chega no instante pré-definido: ele vem no melhor momento. No momento de abrir os olhos, entender certas verdades para finalmente ser maduro o suficiente para o amor. Sutil, apenas lhe sorri quando você se dá conta de quem é ele. E você sorri de volta.
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